domingo, 1 de fevereiro de 2009

Djuna Barnes

CANÇÃO DE EMBALAR

Quando eu era criança dormia com um cão,
Vivia sem problemas e
não pensava em maldades;
Corria com os rapazes e saltava ao eixo;
Agora é a cabeça de uma jovem que repousa no meu braço.

Então cresci um pouco, apanhava erva no pátio;
Agora vivo em Greenwich e as pessoas não
aparecem;
Então plantava sementes de pimenta e calcava-as bem
com os pés.
Agora fico muito sossegada e é raro fazer planos.

Então picava o dedo numa espinha ou num cardo,
Levava o dedo à boca e corria para a minha
mãe
Agora fico aqui, de olhos numa pistola
E virá uma manhã, e outra, e
outra.


TRANSFIGURATION

The prophet digs with iron claws
Into the desert's sinking floors.

The insect back to larva goes,
Struck to seed the climbing rose.

To Moses' empty gorge like smoke
Rush inward all the words he spoke.

The knife of Cain lifts from the thrust;
Abel rises from the dust.

Pilate cannot find his tongue;
Judas climbs the tree he hung.

Lucifer roars up from earth;
Down falls Christ into his death.

To Adam back the rib is plied
A woman weeps within his side.

Eden's reach is thick and green,
The forest blows, no beast is seen.

The unchained sun in raging thirst
Feeds the last day to the first.

Djuna Barnes
Tradução de Rui Caeiro
Telhados de Vidro
N.º 8 Maio 2007

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