terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Paulo Renato Cardoso

VOZ Clamante
no deserto no mar na cidade na guerra no peito
Tu andas a escrever-me Tu respiras-me tanto
e lês-me coisas que não escrevi Tu cuidas-me das feridas
Tu deves ser mulher: vais por onde não há ida apenas noite
e chegas em segredo à porta aberta
voltas sempre por outro caminho mais íntimo
e alteras o lugar e a coisa e o sentido
vens de onde não foste
e trazes o pólen das flores que ainda são por haver

Voz Clamante
Tu deves ser mulher Só a madeira da carne mulher
é a madeira capaz de ir e vir pelos corpos quebrados
pelo vento crispante da ante-manhã da dor
pelo tempo bárbaro de cristais a espigar
sobre o amarelo infante do Mar sem sono
o que eleva as copas da Hora Só a madeira
da carne mulher é a madeira qualitativa
portadora do vértice festivo o vértice oriental
do dia: o chá de canela e mel que pirateia pelos mares do sul
descobrindo fontes no coração dos náufragos

Paulo Renato Cardoso
Órbitas Primitivas
Fracções Futuras
de Um Tratado Heliocêntrico
quasi

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1 Comentários:

Anonymous Sofia Ferreira disse...

Olà Renato :)
Gostei imenso de ler este teu poema :)
Baseias-te muito na mulher, nomeando muitos aspectos acerca desta, conseguindo assim que o leitor (falo por mim) consiga infiltrar-se nas tuas palavras e sinta o k descreves :)
Muitos Parabéns :)
Sofia

20 de maio de 2009 às 13:22  

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