quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Rosa Lobato Faria

DEPOIS DA LUZ

É agora, depois da luz
quando as açucenas arrefecem na sombra
que me apetece pegar
no teu amor como num caule
entre o polegar e o indicador
com a delicadeza de que apenas são capazes
as crianças, os anjos
e as mulheres apaixonadas.
Rodo entre os dedos
a flor do teu secreto abandono
pressinto o adormecer dos pássaros
respiro o cheiro ausente da madressilva
Nenhuma palavra cabe
no gesto de alisar-te os cabelos
toda a música está nas tuas mãos
todo o horizonte nos teus olhos.
E de súbito o mar
de que somos a espuma
o vento, o barco.

Rosa Lobato Faria

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