sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Mário Cesariny

Como a vida sem caderneta
como a folha lisa da janela
como a cadela violeta
- ou a violenta cadela?

Como o estar egípcio emudado
no salão do navio de espelhos
como o nunca ter embarcado
ou só ter embarcado com velhos

Como o ter-te procurado tanto
que haja qualquer coisa quebrada
como percorrer uma estrada
com memórias a cada canto

Como os lábios prendem o corpo
como o corpo prende a tua mão
como se o nosso louco amor louco
estivesse cheio de razão

E como se a vida fosse o foco
de um baço, lento projector
e nós dois ainda fôssemos pouco
para uma tempestade de cor

Um ao outro nos fôssemos pouco
meu amor meu amor meu amor


Mário Cesariny de Vasconcelos

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