domingo, 28 de março de 2010

OSSIP MANDELSTAM

Se for preso pelos nossos inimigos,
Se as pessoas não falarem comigo,
Se de tudo e de todos for privado:
Do direito a respirar e abrir as portas,
Do direito a afirmar que haverá vida
E que, como juiz o povo julga -
Se me tratarem como a um animal,
Se me atirarem a comer prò chão -,
A dor não amordaço, não me calo,
Mas o que for de desenhar, desenho,
E ao abalar o sino nu dos muros,
Ao despertar o canto escuro inimigo,
Vou atrelar dez bois à minha voz
E no escuro o arado enterro e guio -
E nas profundezas da noite, noite alerta,
Olhos se acendem para a terra fértil,
E pois na hoste de fraternos olhos apertado,
Co peso de toda a colheita eu cairei,
De impetuoso juramento é a seara -
E romperá de anos ardentes uma alcateia,
Como tempestade madura vai Lenine
Murmurar. Não haverá putrefacção na terra,
Assassinará razão e vida o Estaline.

Fevereiro-Março de 1937


(1891-1938)
Guarda Minha Fala para Sempre
tradução de Nina Guerra e Filipe Guerra

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