segunda-feira, 5 de abril de 2010

EEVA-LIISA MÄNNER

PORQUE TU ÉS O ADVERSÁRIO

Protege-nos nesta região acidentada, para onde fomos atirados através dos espaços para brilharmos na neve contra o infinito,

protege-nos das cidades ruindo, dos poderes de papelão, de todas as Romas apodrecidas, quando a História se cansa e as nações se confundem,

protege-nos dos Obscuros e dos Claros, dos poetas e dos escribas sensatos, protege-nos de todos os letrados, judeus e gregos, do Cristo das nações,

porque tu és o Adversário, a águia a que pregaram as asas, não és um homem triste, uma grande consolação, uma fraude que imitamos até aos estigmas e que os padres comedores de lótus adornam de palavras húmidas e meladas,

protege-nos dos sonhos fúteis, protege-nos dos terrores inúteis, acorda-nos eternamente para vermos a nossa culpa de cada dia que não remiste e não nos dês depressa demais o Teu perdão.

Protege o nosso corpo da tentação da imortalidade, a nossa alma, protege-a do êxito e da paz, as nossas recordações, da humana fraqueza, para que não paremos de procurar a pergunta de que nós próprios somos a resposta,

e deixa-nos encontrar para lá do múltiplo o Uno, cujo ser nos continua oculto, cuja beleza nos é inconcebível, cuja influência pesará eternamente em nós e que ficará em si imutável,

que, não existindo, é o coração do que existe; que, não sendo espírito, é o espírito do lobo e do pássaro.


EEVA-LIISA MÄNNER
Traduzida por Manuel Resende

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