quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Margarida Vale de Gato

MULHER AO MAR

MAYDAY lanço, porque a guerra dura

e está vazio o vaso em que parti

e cede ao fundo onde a vaga fura,

suga a fissura, uma falta – não

um tarro de cortiça que vogasse;

especifico: é terracota e fractura,

e eu sou esparsa, e a liquidez maciça.

Tarde, sei, será, se vier socorro:

se transluz pouco ao escuro este sinal,

e a água não prevê qualquer escritura

se jazo aqui: rasura apenas, branda

a costura, fará a onda em ponto

lento um manto sobre o afogamento.

Margarida Vale de Gato

in Sulscrito, revista de literatura, número 1, verão de 2007

http://casadospoetas.blogs.sapo.pt/24532.html

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