quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

escrito vadio

os sons que lhe vibravam o tímpano de tísica descartável
assemelhavam-se ao rosnar das pegas larápias
guardadoras de seus tesouros brilhantes
nos ramos desnudados das invernais árvores

shoo!
shoo!

mas não despegavam as tralhas conseguidas
à custa da distracção dos intelectuais esmaecidos
encostados às mesas bibliotecárias
com luzes amarelas a pintalgar os olhos dos leitores

shoo!
chuuu!

de nada servia enxotar os corvos e seus afins
dos ombros das freiras de bocas retorcidas
nas celas conventuais de conveniente frialdade

uma mão arrancou algumas penas
e penachos

mfs

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escrito vadio

segurava na mão esquerda um pedaço de beleza fanada
na mão direita um orgulhoso busto de terracota
seu olho direito via os espasmos da retina
o esquerdo fixava as gaivotas ao longe

com as vozes que lhe zumbiam no sub-consciente
arranjou pretextos para divagar à sombra de uma roseira
salva-vidas
chutou os irrequietos pensamentos quânticos
que tendiam a arrastar incómodas ressonâncias em turbilhão

seguiu o caminho mais longo para aceder ao seu cofre de memórias
que de momento estava indisponível

disseram-lhe para tentar mais tarde

mfs

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quinta-feira, 20 de novembro de 2008

escrito vadio

a mulher tem uma tatuagem no coração e vários piercings na alma
e em qualquer dos casos não vê maneira de se curar deles

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quinta-feira, 30 de outubro de 2008

escrito

ele paira
entre dois céus de arame
ele paira
no leito das loucuras ambulantes
sobre os folhos dos louros rios
universais
entre duas mãos que se aglutinam
dois pensamentos enfeitados
de florescentes canduras

ele corta o volume
da estátua de pedra entalada
nos longínquos cenários
do seu espaço adormecido
enquanto paira

as nuvens roçam a pele dos pégasos
perdidos entre mercúrio
e o sol
rutilante sedutor dos temerários
devorador das ambições filiais
deus dos esfriados meninos
sem maman

ele paira entre ele e ele
no exíguo leito de espelhos
estilhaçados

ffg

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