terça-feira, 30 de junho de 2009

Pina Bausch

Foi-se embora

terça-feira, 23 de junho de 2009

Gottfried Benn

NINGUÉM CHORE


Rosas, sabe Deus de onde tão belas,
em céus verdes a cidade
à tarde
no efémero dos anos !

Que saudades do tempo em que pra mim
um simples marco e trinta era vital,
sim, levado pela necessidade, eu contava os centavos,
tinha de ajustar-lhes os meus dias,
dias, que digo eu: semanas com pão e doce de ameixas
em potes de barro
trazidos da aldeia natal,
ainda iluminados da miséria caseira,
como tudo doía, como era belo e trémulo !

Pra quê o esplendor dos áugures europeus,
dos grandes nomes,
dos pour le mérite,
que olham para si e prosseguem criando,

ah, só o perecível é belo,
vendo pra trás a miséria,
bem como o zé-ninguém que não se reconhece,
soluça e anda aos carimbos do desemprego,

admirável este Hades
que toma o obscuro .
como os áugures -

ninguém chore,
ninguém diga: eu, tão só.


Gottfried Benn
50 poemas
versão de Vasco Graça Moura
Relógio d´Água
1998

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segunda-feira, 22 de junho de 2009

Elevador da Glória

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Elevador da Glória

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domingo, 21 de junho de 2009

Os Garridos

video

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Campo de pétalas

sábado, 13 de junho de 2009

Hypnotic Earth

terça-feira, 9 de junho de 2009

Bienal de Veneza


AFP/ALBERTO PIZZOLI
"Le Cercle des mains", une installation de Bruce Nauman au pavillon américain à la 53e Biennale de Venise, le 4 juin 2009.

Le jury de la 53e Biennale de Venise a attribué à l'artiste américain Bruce Nauman le Lion d'or de la meilleure représentation nationale. Né en 1941, figure majeure de l'art actuel, Nauman, que la Biennale avait déjà honoré d'une récompense en 1999, est l'un des "héros" de cette édition. Il y est montré en trois lieux, le pavillon des Etats-Unis aux Giardini donc, la Ca'Foscari et l'IUAV, qui sont deux bâtiments de l'université de Venise.

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quarta-feira, 3 de junho de 2009

Arménio Vieira


Cidade da Praia, 03 Jun (Lusa) -- O escritor e poeta cabo-verdiano Arménio Vieira, galardoado terça-feira com o Prémio Camões/2009, admitiu hoje ser um autor "pouco lido", mostrou-se surpreendido com a distinção e afirmou que, com o dinheiro que vai receber, "talvez compre uma bicicleta".

Numa entrevista à Agência Lusa, em que se mostrou ainda pouco à vontade em lidar com o sucesso, afirmou que até nem sabe como o júri lhe atribuiu o prémio, já que, no Brasil, disse, é "quase desconhecido".

"Eu sou pouco lido. Em Cabo Verde quase nada. Lá fora um pouco mais, mas, no Brasil, sou desconhecido e nem sei como o prémio veio para Cabo Verde, para o Arménio, porque Cabo Verde é maior que o Arménio, claro", explicou.

Sobre o destino que vai dar aos cem mil euros do prémio, Arménio Vieira prefere não revelar, tanto mais que afirmou desconhecer quando será entregue.

"Não quero falar disso, não o tenho ainda. O prémio é entregue daqui a um ano, mas se calhar vou ter pela primeira vez na vida uma bicicleta, porque nunca tive uma bicicleta", brincou, ironizando que o "ovo (dinheiro do prémio) está ainda dentro da galinha".

Arménio Vieira afirmou à Lusa que tem já pronto, e que está quase a sair, um novo livro de poesia, escrito "através de mensagens de telemóvel".

Sem querer revelar muito do novo livro, - "ainda é segredo" -, Arménio Vieira adiantou que a obra terá como título "O Poema, a Viagem e o Sonho" e que foi escrito através de mensagens que enviava a dois amigos em Portugal.

Além disso, um outro projecto do escritor é a reedição das suas obras num só volume.

"Este mesmo amigo é que quer fazer este projecto de juntar tudo numa mesma obra, porque eu sou pouco lido. Acho que nunca traduziram um livro meu para nenhuma língua, nem para o crioulo. Há traduções de um poema ou outro para Inglês e Russo, mas uma obra inteira não", disse.

Arménio Vieira, o primeiro cabo-verdiano a receber o Prémio Camões, nasceu na cidade da Praia, na Ilha de Santiago, Cabo Verde, a 24 de Janeiro de 1941.

Além de escritor, já colaborou em diversas publicações como o Boletim de Cabo Verde, a revista Vértice, de Coimbra, Raízes, Ponto & Vírgula, Fragmentos e Sopinha de Alfabeto e foi re-writer no jornal Voz di Povo.

Arménio Vieira já publicou diversas obras, entre elas "Poemas -- África" (1981), "O Eleito do Sol" (1990), "Poemas" (reedição em 1998), "No Inferno" (1999) e "MITOgrafias", em 2006.

O Prémio Camões, criado em 1988 pelos governos português e brasileiro, distingue todos os anos escritores dos países lusófonos.

Lusa/Fim

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Fernando Guimarães

METAMORFOSE

Ao longe viste os ramos do que somos
tocados pelo vento. Os mesmos lábios
disseram o que em ti se espalha como
a areia, estas dunas, o prenúncio

da substância extrema que se amolda
a tudo. E unidos ficam por mais tempo
até que sejam a dispersa forma
de se perderem num mais firme gesto

que dissipe as sementes junto aos sulcos
há muito entreabertos para serem
o lugar do repouso. Este era o sábito

vislumbre das suspeitas que nos trazem
o impulso com que possas receber
apenas outro dom, a identidade.

Fernando Guimarães
Lições de Trevas
edições quasi

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